Pré-candidatos a Governador de Minas Gerais se encontram no Mineirão

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Fui ao lançamento da pré-candidatura do Lula e não achei o candidato

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Sherlock Holmes é brasileiro

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No conto “A Liga dos Ruivos” (1891), o dono de uma pequena loja de penhores vai buscar os serviços de Sherlock Holmes. O nome dele é Jabez Wilson. Tudo começou quando Wilson contratou um ajudante que aceitou receber metade do salário de mercado. Olhando para o próprio bolso, o patrão decidiu que estava bom assim – se o assistente aceitava, por que pagar mais?

Um dia o assistente chegou à loja e mostrou um anúncio de jornal ao patrão. Havia sido aberta uma vaga numa tal Liga dos Ruivos, que basicamente rendia um bom salário sem exigir trabalho nenhum – só ficar no prédio da Liga durante meio período. Ganancioso – e ruivo – o Seu Wilson foi tentar a “entrevista de emprego”.

Chegando lá, encontrou a rua entupida de candidatos ruivos de todos os matizes. Todos queriam a renda da Liga. Mas Wilson teve sorte. O entrevistador entendeu que o verdadeiro ruivo cor-de-fogo estava apenas na cabeleira dele!

Wilson passou a ficar no prédio da Liga dos Ruivos todos os dias das 10 às 14 horas, copiando a ‘Enciclopédia Britânica’ para passar o tempo, sem nenhuma supervisão. Recebia para isso quatro libras por semana (na época, muito dinheiro), e era pago em dia.

Até que um dia, sem mais nem menos, Wilson se deparou com este aviso na porta: “A Liga dos Ruivos foi extinta”.Tendo perdido a boquinha, Seu Wilson foi então procurar Sherlock Holmes para entender o que acontecera.

Acontece que o tal ajudante que aceitou receber um baixo salário era um ladrão e tinha um comparsa. Enquanto Seu Wilson ficava de aspone na Liga dos Ruivos, os dois cavavam um túnel no terreno da loja de penhores dele, que era próxima a um banco. Sherlock arma uma tocaia no banco e prende os dois em flagrante.

O conto, que parece ser uma história de mistério, carrega uma lição sobre desconfiar do que parece bom demais para ser verdade. Por que o Seu Wilson não desconfiou de um ajudante que aceitava receber meio salário? E mais ainda, como caiu em um conto tão maluco quanto esse da tal Liga dos Ruivos?

Nós no Brasil temos várias Ligas dos Ruivos – vários esquemas fabulosos nos quais muita gente quer acreditar, mas que são insustentáveis. Um deles é o nosso sistema de previdência, especialmente aquele dos funcionários públicos e que envolve salário integral. Se você contribui para a previdência apenas uma parte do seu salário (e não seu salário inteiro) por X anos, com que mágica vai receber o salário inteiro pelos mesmos X anos depois de aposentado? É claro que a conta não tem como fechar.

O mesmo vale para a convivência do ódio aos políticos com o amor ao Estado. Desconfiado e fulo com os políticos, o cidadão exige cada vez mais serviços e atribuições do Estado – o que claro, não tem como dar certo. E “de graça”.

Também temos aqui a incrível “esquerda Uber”. Trata-se de uma casta de acadêmicos e intelectuais que são apaixonados defensores da CLT, mas vivem andando pelas cidades de Uber – cujos motoristas, como todos sabemos, não têm a carteira assinada pela empresa. Essa mesma casta é absolutamente apaixonada pela ideia do “passe livre”, sem nunca parar para pensar que motoristas de Uber e perueiros oferecem um serviço mais barato e democrático que seus concorrentes chancelados pela prefeitura, enquanto os táxis e ônibus seguem cada vez mais caros.

Na raiz da perpetuação de todos esses mitos está a Síndrome do Senhor Wilson: a ideia de que sim, *eu* sou um ruivo especial, o verdadeiro ruivo cor-de-fogo, e portanto eu mereço me aposentar com salário integral / esse serviço de graça / andar de Uber mas exigir que a CLT não mude. Elementar.

***
(Nota: este artigo foi publicado originalmente em minha coluna semanal no Implicante).

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A Lava Jato chegou ao Foro de São Paulo

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Ignorado por 13 de cada 10 analistas internacionais com espaço na grande imprensa do Brasil, o Foro de São Paulo é um dos fenômenos mais importantes na história recente da América Latina. Trata-se da aglomeração dos principais líderes e partidos de esquerda do continente, quase todos eles vitoriosos em seus países: Cuba, Venezuela, Brasil, Bolívia, Equador, El Salvador, etc. É verdade que nos últimos anos o Foro tem sofrido algumas derrotas, mas a solidariedade dos seus membros segue atuante. Durante o impeachment de Dilma, por exemplo, alguns presidentes estrangeiros se declararam contra o processo. Imaginem qual seria a reação da esquerda brasileira se um presidente estrangeiro se declarasse a favor…

Como nem a imprensa nem a academia investigam muito o Foro, pouco se sabe, por exemplo, sobre o financiamento da organização, que realiza (para citar uma atividade prática que custa dinheiro) encontros anuais em hotéis. Tínhamos acesso apenas a informações pontuais, como por exemplo que o programa Mais Médicos foi concebido para patrocinar a ditadura cubana. Também já era conhecida a atuação do ex-poderoso João Santana, o de facto 40º ministro de Dilma, em eleger presidentes no exterior. Mas agora muito mais informação sobre o Foro será revelada, graças à Lava Jato.

Reportagem de “O Globo” dá conta de que a Lava Jato já interrompeu obras em seis países latino-americanos: Argentina, Cuba, Guatemala, Honduras, República Dominicana e Venezuela. O país com o maior volume de recursos, adivinhem só, é a Venezuela. Segundo o jornal, “[o]s projetos [suspensos] somam US$ 5,7 bilhões e representam 58% do valor destinado pelo banco para financiar a exportação de serviços de engenharia brasileiros na região entre 2003 e 2015”. O ano de 2003, claro, não está lá à toa. Segue o jornal:

“Nas últimas décadas, o Brasil se mostrou um parceiro endinheirado e exerceu seu poder para atrair aliados políticos na América Latina, Caribe e África. Entre 2005 e 2010, os empréstimos do BNDES quase quadruplicaram em dólares. Em um único ano, 2010, o banco brasileiro chegou a emprestar quase US$ 100 bilhões, três vezes o valor investido pelo Banco Mundial (Bird).”

As delações dos executivos da Odebrecht e o inevitável avanço da Lava Jato sobre o BNDES vão revelar muito ainda sobre como se deu a ascensão da esquerda na América Latina durante os anos 2000. Um tópico que, por incrível que pareça, não parece interessar muito aos acadêmicos ou jornalistas de esquerda da América Latina…

Uma reação possível às novas revelações será dizer que como a esquerda está sofrendo derrotas agora, então o Foro nem foi tão relevante assim. Já tem acadêmico dizendo isso à BBC. É um raciocínio saboroso. Por essa lógica, o Império Romano, o feudalismo e a União Soviética não foram relevantes. Afinal, eles já acabaram…

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O PT perdeu votos, mas ainda tem muitos ônibus

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DIZ A LENDA QUE STALIN certa vez zombou da força do Papa: “O Papa? Quantas divisões ele tem?”. Não tenho a resposta para essa pergunta, mas sei que o PT ainda tem algumas dezenas de ônibus.

Massacrado nas eleições municipais e derrotado na votação da PEC 55, o PT não tem votos nem nas urnas nem no Senado. Com efeito, como já mostrou este Implicante, o PT perdeu votos no Senado em relação à votação do impeachment de Dilma — de 20 para 14. Mas como o partido nunca foi afeito ao jogo democrático, não está disposto a perder de graça. Nesta terça (29), em Brasília, vândalos realizaram mais um “protesto pacífico” típico da turma, virando um carro de reportagem, ateando fogo em outro, e depredando caixas de correio, bancos e os prédios de vários ministérios — tudo em nome do respeito ao patrimônio público, claro. Esses vândalos absolutamente apartidários foram entusiasticamente defendidos por deputados federais petistas e por lideranças dos seus AstroTurfs¹ de sempre.

Na noite de terça (29.nov.16), no Twitter, vi algumas das mais absurdas justificações para a violência, incluindo dizerem que haviam virado um carro para se defender (o fulano é o Hulk?) e que num momento de luto nacional não se deveria fazer política (e fazer protesto, especialmente violento, é o quê?).

Nenhum veículo de imprensa fez a pauta mais óbvia: relacionar a violência de terça com as longuíssimas invasões de escolas, todas elas com pichações “Fora Temer”. A imagem acima mostra que pichadores deixaram registradas no prédio do MEC algumas das suas escolas de origem. Quem pagou os ônibus que levaram os estudantes a Brasília? Onde se hospedam e quem paga? Ninguém da imprensa está interessado em fazer essa reportagem, mas já tivemos que ler da pena de alguns colunistas perguntas do tipo “quem financia os panelaços?”.

A violência de terça-feira (29.nov.16) mostra (mais uma vez) que o núcleo de poder do PT não está em Brasília, mas nas escolas de todo o Brasil. Muitos professores, diretores, reitores etc. são agentes diretos da quebradeira, ao desenvolverem um ambiente na escola no qual alunos viram militantes, crentes de que estão numa revolução e que em nome dela tudo se justifica — afinal, “não reconheço governo golpista”. Naturalmente, esses próprios professores não vão lá dar a cara a tapa, mas têm muito orgulho dos seus jovens rebeldes que obedecem rigorosamente suas cartilhas.

A turma que vai protestar neste domingo (04.dez.16) deve comparecer às ruas não apenas em defesa da Lava Jato, mas para marcar, mais uma vez, que nossa diferença é não apenas de pauta, mas de método. Sem um só ato de depredação, derrubamos uma presidente. A Lava Jato, que nós apoiamos e eles nunca, pôs na cadeia Eduardo Cunha, que, se dependesse deles, estaria no poder desde que não ameaçasse Dilma (com Lula ministro). Eles seguem quebrando e seguem perdendo votos. Mas ainda têm as escolas e os ônibus.

¹ AstroTurf, uma famosa marca de grama sintética, é termo utilizado para designar os “laranjas” políticos de um partido; ex. “Frente Brasil Popular” e “Frente Povo Sem Medo” são nomes diferentes do PT, que também é comercializado sob as marcas “PSOL”, “Rede”, “professor universitário”, “colunista da Folha” e muitas outras.

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(Nota: este artigo foi publicado originalmente em minha coluna semanal no Implicante).

 

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A Lava Jato é a nossa revolução possível e deve ser preservada

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NA SÉRIE ANIMADA “DEATH NOTE”, um jovem estudante vê cair do céu um caderno mágico. Ao escrever um nome em suas páginas, a pessoa nomeada morre em 40 segundos. O protagonista da história decide usar o caderno para trazer ao mundo sua versão de justiça, matando milhares de criminosos ao escrever os nomes deles.

Filmes mais recentes de Tarantino também imaginam formas violentas de justiça. Os protagonistas levam dor, sofrimento e morte a nazistas ou a donos de escravos.

Parte do apelo dessas histórias — bem como do discurso populista da “bancada da bala” e dos programas policiais vespertinos — está na percepção da impunidade. Acreditamos que criminosos — no passado e no presente — não tiveram a punição que mereciam. Por causa disso, muitas pessoas estão dispostas a aplaudir ou eleger líderes com narrativas semelhantes — que prometam retribuição, vingança ou punição aos bandidos, aos corruptos, etc.

O Brasil ganhou um enorme presente em 2014. Uma revolução possível, e inteiramente dentro da lei. A turma de Curitiba responsável pela Lava Jato está há mais de dois anos fazendo tudo ao seu alcance para colocar os maiores e mais perigosos bandidos do Brasil na cadeia. Sem bancada da bala, sem tortura, sem populismo — sem disparar um único tiro.

É impossível prender políticos sem fazer política. A turma de Curitiba sabe disso. Com uma estratégia até agora sem nenhuma falha grave, conseguiram estar sempre dois passos à frente da imprensa e dos criminosos. Mas como vimos pelo comportamento da Câmara dos Deputados nesta quinta (24), a Lava Jato não se sustenta sozinha. Acuados pela força invencível dos fatos e pela delação da Odebrecht, bandidos farão de tudo para se proteger, mesmo que isso signifique pavimentar o caminho para a eleição de um completo ‘outsider’ em 2018. A prioridade deles é escapar da cadeia.

A cada dia fica mais evidente que o braço da Justiça é longo o suficiente para alcançar qualquer um, até ex-governador, desde que não tenha mais foro privilegiado. A cada dia fica mais evidente o contraste entre os trabalhos de Curitiba e Brasília: a primeira pega todo mundo, a segunda fica só na listinha. Rodrigo Janot e o STF em breve ficarão em situação muito difícil.

Somos privilegiados. Ganhamos, no espaço de nossas vidas, uma Mãos Limpas, mas já com a existência da internet e dos movimentos de rua. Estamos chegando ao final de um capítulo da História do Brasil. Se fizermos a nossa parte, as páginas seguintes podem ser bem diferentes. Se fracassarmos, elas estarão cheias de fotos dos mesmos velhos personagens.

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(Nota: este artigo foi publicado originalmente em minha coluna semanal no Implicante).

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Livro mostra que a editora da revista VEJA era cheia de comunistas

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ROBERTO CIVITA(1936–2013; pronuncia-se “TCHÍ-vita”) fundou a revista VEJA e presidiu o Grupo Abril de 1990 até sua morte. É um dos principais nomes do jornalismo brasileiro. Foi responsável por criar ou trazer ao Brasil quase todas as suas principais revistas, como QUATRO RODAS, CLAUDIA, NOVA, PLACAR, PLAYBOY, EXAME, VEJA SÃO PAULO e muitas outras.

Carlos Maranhão é um dos melhores e mais experientes jornalistas brasileiros. Trabalhou por mais de 40 anos na Editora Abril. Foi escolhido por Roberto Civita para escrever sua biografia autorizada. Como o patrão morreu antes de Maranhão escrever o livro, este optou por publicar uma biografia não autorizada pela família (que não obstante deu entrevistas e emprestou inúmeros documentos). “Roberto Civita — O Dono da Banca” (Companhia das Letras, 534 páginas) chegou às livrarias neste ano.

Trata-se de uma biografia primorosa e uma aula de Jornalismo com J maiúsculo, em um texto saboroso que se devora em poucos dias. Mas como o espaço nesta coluna é limitado, vou me concentrar em um aspecto do livro: ele documenta como as redações da Abril estavam cheias de militantes comunistas, em grande parte à revelia do Dr. Roberto. Cito um trecho sobre a revista REALIDADE, uma, digamos assim, tia-avó de VEJA:

“Roberto, porém, demorou a identificar o terreno em que estava pisando. Não percebia que comandava gente politicamente engajada — do lado oposto ao seu — e em parte com vida dupla. Ele diria que em seus anos nos Estados Unidos não conheceu um único esquerdista. Achava que uma pessoa inteligente e informada não poderia ser comunista” (pág. 127).

É o próprio Roberto Civita quem fala neste trecho gravado sobre a militância política de seus subordinados:

“A revista [REALIDADE] seria o resultado da conjugação de muitos talentos e energia. Eram talentos diferentes, com visões de mundo diferentes. Havia uma preponderância de esquerda, disfarçada. E também militância clandestina. Eu não percebi. Só me dei conta mais tarde das armadilhas. Eu não tinha sensibilidade para ver contrabandos nas matérias. Eles me driblavam. Não me considerava uma pessoa ingênua (…) Mas eu era. Anos depois, comecei a dizer para mim mesmo: ih, Roberto, aqui você foi enganado, ali você foi tapeado (…) [N]em me ocorreu que poderia existir no Brasil um pensamento de esquerda que eu considerava retrógrado” (págs. 127–128).

Citando alguns clubinhos: os jornalistas Paulo Patarra e Milton Coelho da Graça eram do PCB. Roberto Freire, o Bigode, era da Ação Popular (AP), bem como o pesquisador Duarte Pacheco, que depois atuaria no jornal “alternativo” ‘Movimento’. A base de apoio à ALN de Carlos Marighella tinha “vários jornalistas” na Abril. O próprio Patarra contou:

“A redação era um ninho de stalinistas, maoístas, cristãos de esquerda e esquerdistas etílicos” (pág. 126).

Tem mais. No início de 1970, quando VEJA já existia e a revista PLACAR estava para ser lançada, Juca Kfouri foi convidado para ser pesquisador de esportes. Quem ele consultou antes de tomar uma decisão? Joaquim Câmara Ferreira, o “Velho”, dirigente da ALN (ver pág. 344), que o “autorizou” (sic) a aceitar o emprego. Na época, Juca era militante da ALN e motorista de Velho (em tempo: Kfouri cobriu a biografia de elogios). Já em 1979, PLACAR era dirigida por Jairo Régis, “que, a exemplo de Milton [Coelho da Graça, diretor da revista INTERVALO] e Juca [Kfouri], atuava no Partidão” (pág. 345).

Existem outras tantas referências no livro sobre a militância clandestina de esquerda na Abril. Maranhão não se aprofunda nelas, já que seu objetivo era outro, e não ilustra exatamente por meio de quais decisões ou reportagens a esquerda passou a perna no patrão. Isso é assunto para outro livro. Duas conclusões são certas:

  • mesmo pessoas muito inteligentes e poderosas podem não enxergar a atuação da militância de esquerda debaixo do nariz delas. Podem até mesmo acreditar que comunista não existe.
  • sempre que alguém te disser que tal publicação ou tal empresa é “conservadora”, “reacionária” e etc., desconfie…

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(Nota: este artigo foi publicado originalmente em minha coluna semanal no Implicante).

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