5 coisas que você precisa saber sobre o Enem

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1. O Enem tem questões ao mesmo tempo recentes e pré-testadas (só não sei como)

O Enem é a única prova do mundo que garante pré-testar todas as suas questões e ao mesmo tempo aplicar perguntas sobre eventos noticiados pouco antes da prova. Querem um exemplo? A prova de 2011. Até então, segundo o MEC o último pré-teste fora realizado em outubro de 2010 (foi desse pré-teste que surgiram as questões do ‘simulado’ do Colégio Christus, de Fortaleza). Mas a questão nº 1 da prova azul é sobre a queda do ditador do Egito, Hosni Mubarak, ocorrida em fevereiro de 2011.

Como uma prova pré-testada em outubro de 2010 pôde cobrar uma questão sobre um evento de fevereiro de 2011? O MEC nunca esclareceu.

Outras oito questões na prova de 2011, embora não mencionassem fatos tão recentes, traziam enunciados com textos “acessados” em 2011, chegando até mesmo ao mês de junho – caso de seis delas (nº 53 na prova azul, nº 93 de inglês na prova amarela, nºs 93 e 94 de espanhol ainda na amarela, e nºs 103 e 117 na prova amarela de linguagens). Já a nº 7 da azul cita um texto acessado em maio de 2011, e a nº 153 da amarela, em abril do mesmo ano.

Enunciados com datas ou até mesmo notícias muito próximas aos dias de prova não são exclusividade de 2011. Em 2010, a questão 18 (sempre na versão amarela), sobre Belo Monte, traz trecho de reportagem publicada em abril do mesmo ano. A questão 30, sobre homofobia, tem no enunciado uma notícia publicada em 5 de março. A questão 62, sobre animais que respiram na água sem oxigênio, baseia-se em reportagem publicada seis meses antes da prova. A questão nº 9, sobre o G-20,  e a nº 15, sobre a estrada de ferro Carajás, trazem a data de julho, apenas três meses antes do exame. 

Ainda em 2010, a questão 23 menciona um poema de Brecht, morto em 1956, mas o acesso é de 28 abril de 2010, mesma data do acesso à musica de Zé Ketti na questão 38. Uma notícia de janeiro de 2009, sobre o Chile, embasa a questão 42. Um texto acessado em agosto de 2010 está na questão 49, sobre cáries, e um em maio de 2010 na questão 53, sobre Júpiter. São também de abril ou junho de 2010 os acessos aos enunciados das questões 56, 77, 78 e 80.

Na prova de domingo, a questão 99 menciona um texto publicado numa revista em abril de 2010; a 117, um texto de março. A questão 138 também menciona reportagem de abril do mesmo ano, do portal do Estadão.

Não surpreende, portanto, que “Manifestações, papa e espionagem [sejam] temas para o Enem [2013]”; o próprio MEC não parece se importar em reforçar o mito de que todas as questões são pré-testadas – embora, no modelo anunciado, isso deveria ser parte fundamental da prova. A dificuldade das questões deveria ser avaliada nos pré-testes.

2. O Enem cura até unha cravada

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“E ainda passa um cafezinho”

O revolucionário produto Enem™ serve ao mesmo tempo:

– como vestibular para quase todas as universidades públicas;

– como avaliação geral do desempenho dos alunos brasileiros;

– como critério para bolsa do ProUni;

– para fins de certificação de conclusão do ensino médio, para os maiores de 18 anos que não concluíram esse nível de escolaridade na idade adequada;

– como critério para o Ciência sem Fronteiras, inclusive para alunos do Ita, que não fizeram Enem para entrar no Ita. Por quê? Porque sim.

Como já me explicou o professor José Francisco Soares, o Enem tem que atender a dois requisitos ao mesmo tempo: “como o Enem é uma avaliação do sistema como um todo, precisa dos pré-testes, para garantir que os exames sejam comparáveis. Isso tem que ser transparente. Mas como o Enem é também um concurso, exige sigilo”. É isto mesmo: como desde 2009 o Enem quer ser avaliação geral e concurso ao mesmo tempo, ele deve ao mesmo ter transparência e sigilo!

É uma prova incrível, que em breve o Mercadante vai anunciar que cura até unha encravada.

3. O Enem é feito por muita gente que já entrou na faculdade

Não se enganem pelos milhões de inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio. Muitos dos que fazem a prova já estão na faculdade. Sei disso porque entrevistei muitos, muitos deles, às portas dos locais de prova. Alguns buscam sair da faculdade particular para uma pública. Outros tantos querem ficar na mesma faculdade, mas vão usar a nota do Enem para pleitear uma bolsa do ProUni. Tudo isso é perfeito e legítimo. Mas o formidável número de inscritos não deve passar a falsa impressão de (apenas) milhões de secundaristas tentando o ensino superior.

Isso, claro, quando o MEC não OBRIGA o universitário – reitero, aquele que já entrou na universidade – a fazer a prova para tentar o Ciência sem Fronteiras. Por que um aluno de graduação deveria ser avaliado pelo seu desempenho numa prova elaborada para alunos de Ensino Médio? Bom, ajuda a aumentar o número de inscritos…

4. O Enem possui poderes mágicos

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“Eu não sou o Enem!”

O Enem possui uma varinha de condão chamada Teoria da Resposta ao Item (TRI).

Não importa o que aconteça com o Enem, a assessoria de imprensa do MEC alegará que a TRI resolve.

Precisa cancelar treze questões vazadas em um colégio no Ceará? TRI resolve. Alunos teriam de fazer outra prova, cuja dificuldade poderia ser diferente da da anterior? TRI resolve. Acordou com unha encravada? TRI resolve.

É claro, a TRI depende de que as questões sejam pré-testadas…

5.  O Enem mostra que ninguém se importa com os alunos de Ensino Médio

Todo mês assistimos a notícias de um concurso público não-sei-onde no qual um ônibus quebrou ou um fiscal fez cara feia e por causa disso o concurso é inteiramente cancelado.

O que dizer de um concurso no qual TODAS as folhas de gabarito foram invertidas, as questões 1-45 trocadas pelas 46-90 e vice-versa?

Ou que tal se eu te contasse que em certo concurso ocorreu um vazamento de questões de extensão nunca apurada, e mais ainda, esse concurso foi num fim de semana e no sábado já tinha gente falando disso publicamente no Facebook?

Ou que tal um concurso no qual o candidato sai com uma nota razoável escrevendo receita de Miojo ou o hino do Palmeiras?

Fernando-Haddad

“O Enem é jóia, digo, joia, digo… é TRI”.

Se fosse qualquer concurso público de qualquer cargo, certamente seriam anulados. Mas quê… se o concurso é meramente a uma vaga para uma universidade pública, não merece grande importância. O único Enem cancelado foi o de 2009, mas aí porque a prova inteira foi roubada e isso foi noticiado antes da data da prova. Depois…

Em tempo. O idealizador desse ‘Enem Brasil Grande’, Fernando Haddad (PT), teve sempre como bandeira a realização de mais de uma edição do Enem por ano. A prática começaria em 2012, que teria dois Enems, um deles em abril.

Em janeiro de 2012, Haddad cancelou o Enem de abril. Ele disputaria naquele ano a eleição para prefeito de São Paulo.

Não demonstrou muita confiança na própria cria. Afinal, nas urnas não funciona a TRI…

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1 comentário

Arquivado em Exclusivas

Uma resposta para “5 coisas que você precisa saber sobre o Enem

  1. Rubenz

    cara… vc parece o Mr. Burns dos Simpsons e ainda tem coragem de inventar uma escola da sedução ? HAHUaHUAhAUhau !! Mais bizarro do Brasil !!

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