Sim, Dilma nos representa

Com grande poder…

Meu nome é Cedê Silva e Dilma Rousseff me representa.

Não votei nela. Não votarei nela. Não avalio bem sua administração. À parte isso, sei que vivo numa democracia representativa.

Em qualquer regime existem vencedores. Só na democracia existe espaço também para os que perdem. Não é a ideia que predomina na atual discussão pública. Uma das frases que mais pipocaram nas timelines no ano passado, ainda muito viva nestes tempos pré-eleição, é “fulano não me representa”. Devo informá-los de que fulano te representa sim. Reside aí a grande responsabilidade do cargo: representar inclusive os que não votaram nele.

À esquerda e à direita leio quem sustente que vivemos em “tempos mimados”. É verdade. Uns criticam o Bolsa Família, outros criticam quem critica o Bolsa Família mas estuda em universidade pública, todos criticam os rebeldes ou reacinhas criados com leite achocolatado que nunca enfrentaram dificuldade na vida, etc. É a turma que toma a bola quando seu time toma muitos gols, que larga o controle ao começar a perder no videogame. Vivemos também tempos mimados – mimadíssimos – na política. Sua maior manifestação é o “fulano não me representa”. Afinal, eu não votei nele, esse jogo eu perdi, então não quero jogar! Abster-se de responsabilidade pelo político, porém, equivale a conceder-lhe licença para nos desprezar por completo. Afinal, se já damos de barato que ele não nos representa, por que ele deveria se esforçar em fazê-lo?

Hoje é o primeiro dia de setembro e também segunda-feira. Me parece um bom dia para recomeços. Retomo hoje este blog para publicar alguns apontamentos sobre coisas em que venho pensando há bom tempo. Uma delas é esta: Dilma me representa. Eu preferiria que fosse outra pessoa. Mas vivo numa democracia representativa, que se distingue justamente por ter representantes que trabalham para todos. Não pretendo representar ninguém, mas adorarei conversar com todos os meus leitores. Adiante.

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2 Comentários

Arquivado em Curtas

2 Respostas para “Sim, Dilma nos representa

  1. Eduardo

    Ei, Frederico. Bom texto.
    Parabéns pela paciência. Acho admirável que você queira conversar com os “seus”, esse pronome esquizofrênico. Eu ando tão cansado da gritaria entre aqueles que não se ouvem que sonho com o dia no qual nada disso importar, o dia no qual os séculos soterrarem esse anos de guerra surda, o dia no qual tudo o que é já morreu. Enquanto isso, toco o barco. Fazer o quê, né?
    Um abraço vindo de longe, lá da época dos cartuns de Maomé.

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