O 15 de março que o PT não conhece

O DIA 15 DE MARÇO é o dia do golpe mais famoso da História.

É o dia em que senadores romanos mataram Júlio César.

A data é perfeita demais para ser ignorada por quem adora gritar “golpe”. Mas foi. Em 15 de março deste ano, dia das maiores manifestações anti-Dilma, a petezada de sempre, que adora uma falsa narrativa, se esforçou para achar um aniversário escabroso que coincidisse com a data. Primeiro, mentiram descaradamente que era a data da Marcha da Família de 1964. Mas a primeira Marcha foi no dia 19. Se contentaram então em lembrar que 15 de março era a data de posse dos presidentes na época da ditadura. É verdade. Mas José Sarney também tomou posse em um 15 de março — os brasileiros foram às ruas, portanto, no aniversário de 30 anos da nossa democracia. É fogo…

A Polícia Federal deflagrou a operação Catilinárias. A mesma turma que ignorava completamente o mais famoso 15 de março de todos os tempos subitamente virou fã de história romana. Entenderam que o nome da operação era uma referência a Eduardo Cunha (cujos poderes ninja já relatei). Pode não ser bem assim. Reinaldo Azevedo e Flavio Morgenstern escreveram sobre o assunto.

Tio Rei: “Cícero era um conservador brilhante e um inimigo, para colocar em termos contemporâneos, de populistas à moda Catilina, que vivia vociferando contra os ricos, contra, ora vejam, a “Dona Zelite”. E que partiu para a luta armada. (…) ainda que em dimensões estupidamente menores, sabem quem está mais para Catilina na política brasileira? Não é Eduardo Cunha, não, mas Guilherme Boulos: pertence à elite, usa causa pública em benefício de seus interesses (ainda que sejam os ideológicos), faz discurso rancoroso contra os ricos, mobiliza seu próprio exército e adota práticas que o Código Penal define como criminosas”.

Flavio Morgenstern: “O que Catilina tentou em 63 a. C. foi, justamente, o uso do seu próprio cargo de cônsul para obter mais poder e riquezas, dando um golpe em todo o Senado. O golpe, no caso, significaria dar riquezas do Estado ao povo em troca de votos. Seu projeto era criar um exército contratando mercenários e camponeses pobres para lutar contra os exércitos particulares e os exércitos do Senado. Conquistando assim o apoio popular, com distribuição de bens e emprego, Catilina poderia não se tornar Imperator, como o será Augusto Octaviano, mas sim dominar todo o Senado, comprando votos para seus próprios projetos de poder e obter maiorias sem contrapeso. O golpe de Catilina não era para tornar a República um Império, mas sim para transformá-la em uma democracia [no sentido original], sem contrapesos”.

***

A turma que adora gritar “vá estudar História” vez ou outra faz algumas coisas engraçadas.

Hoje é 16 de dezembro, mais uma edição do ‪#‎MortadelaDay‬, no qual pessoas vão livremente às ruas para reivindicar o sagrado direito que nossos iluminados governantes têm de nunca serem punidos por nada em ocasião alguma.

Pois bem. Eles poderiam ter prestado um pouco mais de atenção à data.
16 de dezembro é a data da Festa do Chá de Boston.

Mais conhecida hoje simplesmente como TEA PARTY.

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