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Pré-candidatos a Governador de Minas Gerais se encontram no Mineirão

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Fui ao lançamento da pré-candidatura do Lula e não achei o candidato

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10 coisas que vão acontecer no governo Temer

10 coisas governo temer

10. Os petistas subitamente descobrirão que existe uma crise econômica no País, e parece até que é grave. O escabroso meme “Apesar da Crise” será enterrado. Em seu lugar, petistas postarão noite e dia sobre a alta dos preços, as lojas fechadas, e seu mais novo companheiro: o desemprego.

9. Michel Temer e seu ministro da Saúde serão identificados com a dengue, a zika e o Aedes aegypti, e um apelido com algum desses termos logo vai emplacar (infelizmente para os petistas não foi ainda o tempo do Aedes Neves).

8. Humoristas que estavam até agora hibernando vão subitamente descobrir uma nova, inexplorada e revolucionária fonte de piadas: o governo. Subitamente o humor político ganhará com força a televisão. O presidente e seus ministros serão caricaturados, e termos hoje considerados chulos, ofensivos, etc. serão desferidos com muita fartura.

7. O meme “bela, recatada e do lar” será usado em toda a sua literalidade com Marcela Temer; cada passo da primeira-dama será explorado para fazer dela uma nova Cláudia Cruz.

6. Ao contrário do que aconteceu com a gloriosa Copa do Mundo, a principal empolgação por parte dos petistas com as Olimpíadas estará em criticar as obras caríssimas e a falta de legado e repetir toda aquela ladainha que vimos em 2013. Algum blogueiro “progressista” criticará o “uso político do evento” por parte de Temer. Pelo menos um presidente de país vizinho boicotará a cerimônia de abertura com grande alarde.

5. Subitamente veremos muitas reportagens que mostram que nossas universidades públicas estão quase desabando, que na verdade não são tão boas assim, e que — quem diria — estão repletas de analfabetos funcionais. Veremos vigorosas denúncias sobre as relações entre governo e empresas privadas no âmbito do ProUni. A UNE vai reverberar uma campanha de anistia das dívidas dos estudantes matriculados no Fies.

4. O tema da redação do Enem será criticado por todos os “influenciadores digitais” que tanto elogiaram a prova de 2015.

3. Petistas que não fazem a menor ideia de quem é Gim Argello, não sabem dizer o nome de um procurador de Curitiba e nem por um cargo comissionado poderiam citar três fases da Lava Jato virarão ‘ombudsmen’ da operação da noite para o dia, relacionando trechos de documentos, copiando parágrafos de inquéritos e vasculhando sites de advogados para compartilhar os inúmeros “erros processuais”.

2. Por uma incrível força da natureza, os petebas de sempre vão passar a submeter cada ministro a uma extensa avaliação curricular, questionando seus méritos, desempenhos, conquistas, realizações e histórico escolar nos mínimos detalhes.

1. De queixo empinado, taça de vinho na mão e ao lado de uns tantos xeroxes grifados de Habermas, os acadêmicos de sempre vão nos lecionar que a solução, afinal de contas, passa pela reforma política.

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O plano infalível do senador Randolfe

plano senador randolfe_cede silva

O SENADOR RANDOLFE RODRIGUES (PLAPT*-AP) decidiu elevar o nível do debate político brasileiro. Afastando-nos da cusparada e do cocô em fotografia, trouxe-nos para o degrau da pegadinha.

Ocorre que a pegadinha de Randolfe mais parece um estratagema do Coiote Coió: o autor acha que vai se dar bem, mas a bomba explode na cara dele.

Na Comissão do Impeachment do Senado, Randolfe citou uns decretos e perguntou a Janaina Paschoal:

“Quais os crimes e por que isso remete ao pedido de impeachment? Eu completo depois, na réplica, Sr. Presidente”.

Neste momento já podemos imaginar na mente de Randolfe as engrenagens rodando, maquinando seu plano infalível. Janaina respondeu com seu entendimento e Randolfe retrucou:

“Obrigado, agradeço imensamente V. Sª pela descrição. V. Sª acaba de expor as razões por que também será necessário pedir o impeachment do Vice-Presidente Michel Temer. O que eu descrevi, agora há pouco, foram atos cometidos pelo Vice-Presidente Michel Temer”.

Randolfe deve ter se sentido o garoto mais travesso da classe, que pregou uma peça daquelas na professora. Se Dilma deve sofrer impeachment por X e Y, então com Temer deve ocorrer o mesmo, já que ele também fez X e Y. Que jogada brilhante! Boa, Randolfinho!

Randolfinho é um aluno tão especial que pulou as séries do primário, e por isso perdeu a aula sobre comutatividade. Se Temer deve sofrer impeachment por X e Y, logo Dilma também deve sofrer impeachment por X e Y. No entanto, Randolfe, como bom membro do PLAPT*, votará contra o impeachment de Dilma, em que pese sua lógica de menino travesso.

O que o senador Randolfe e seus fãs desejam não é o impeachment de Temer coisíssima nenhuma, mas apenas livrar a cara de Dilma e ponto final. Inclusive, votaram no Temer com muito gosto.

(*PLAPT = Trata-se do maior partido do Brasil, o Partido Linha Auxiliar do PT.)

***

No mesmo espírito da sua elevada qualidade de raciocínio, quero propôr ao senador as seguintes perguntas:

Senador Randolfe, cê tem brochove?
O senhor conhece o Mário?
Qual o aumentativo de dacueba?
Ouvi dizer, senador, que no Amapá tem jacaré. Jacaré no seco anda?
Bom vê-lo em Brasília, senador. O senhor chegou há pouco de fora?
Bonito terno, senador. Linho fio grosso?
Senador, se o senhor tivesse um cachorro chamado Nabunda…

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Por que o PT vai perder na Câmara

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A ORDEM DOS TRATORES AFETA O VIADUTO?

Não. Quando você tem voto, ganha em qualquer ordem. Se não fosse assim, o governo Dilma não estaria apelando novamente ao jus sperneandi mesmo depois de recorrer tantas vezes ao STF — inclusive para entregar a Eduardo Cunha o poder exclusivo de decidir sobre pedidos de impeachment, e depois para mudar o rito estabelecido em 1992. Sigamos.

Vamos oferecer a Dilma a hipótese mais generosa possível: começar a votação na Câmara pelo Nordeste. Todos os Estados do Nordeste, em bloco. O que teremos?

Segundo o placar do Estadão (que neste momento marca 338 x 127), teríamos 78 x 53 (excluídos os indecisos) a favor do impeachment. Isso dá quase 60% a favor do impeachment. Se a mesma proporção do Nordeste valer no plenário, serão 307 votos. “É insuficiente para o impeachment, que precisa de 342”, você diz. Sim, mas ainda não saímos do Nordeste, a região mais pró-Dilma, na qual, atenção, apenas dois Estados têm mais votos contra o impeachment do que a favor: Bahia (16 x 17) e Ceará (8 x 11), ambos governados pelo PT. No Rio Grande do Norte, os deputados prometem oferecer a Dilma a clássica goleada de 7 x 1.

E na região Norte? Ao menos entre os votos declarados, o placar do Estadão marca 39 x 12. Apenas um Estado está “fechado” com Dilma: o Amapá, com 2 deputados contra o impeachment, 2 indecisos e 4 que não quiseram responder. Portanto, entre os deputados que já anunciaram os votos, o placar do Norte é 76% a favor do impeachment. Se o Norte fosse a Câmara, seriam 389 votos pelo impeachment, 47 a mais que o necessário.

Ao que tudo indica, a votação no domingo vai começar por Roraima, que tem oito deputados. Apenas o deputado Edio Lopes (PR) declarou voto “não”. Também Roraima vai golear Dilma — e no ínicio do jogo — por um generoso 7 x 1.

***

Com a lista publicada no site da Câmara, é possível prever de qual Estado virá o 342º voto. Minha aposta é que, assim como foi em 1992, o voto decisivo virá de Minas Gerais. Usando hoje o placar do Estadão na ordem em que os Estados vão votar, chegamos a 287 votos quando a lista chega em Minas (os outros 51 votos estão em cinco Estados do Nordeste). Basta somar 55 votos — pouco mais de 10% da Câmara — para dar o nº 342 a Minas. Sem um único voto extra no Nordeste, o placar fecharia em 393 votos a favor do impeachment.

***

Em 2 de dezembro de 2015, twittei: “O impeachment é natural, democrático e inevitável. Só não veio antes porque o Cunha tava segurando”. Alguns dias depois, fui além: “o impeachment é certo, correto, líquido, absoluto, inevitável e cheiroso”. Domingão tem jogo.

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Petistas Magros não Lutam Sumô

A FORÇA DO PETISMO não está (obviamente) na sua capacidade de vencer discussões, mas de pautá-las.

Um petista sempre vai avaliar o adversário antes de escolher o esporte. Se você for magrelo como eu, o petista vai desafiá-lo para um duelo de sumô. Se for gordo e pesado, o petista vai querer competir com você na natação, ou talvez em uma maratona. Se você for bom de briga mas ruim da cabeça o petista te convida para uma amigável partida de xadrez; se for o contrário, para uma luta de boxe.

Como conquistaram a hegemonia nas redações, na universidade, nos sindicatos, nos “movimentos sociais” etc. os petistas possuem um imenso poder de agenda, de pauta, sempre deslocando-a em favor dos seus interesses.

Um exemplo recente: a Operação Carbono 14, deflagrada em uma sexta-feira (1º), trouxe à tona o incômodo caso Celso Daniel. Celso Daniel incomoda porque os mesmos petebas que berram “que se investigue tudo!” querem dar por encerrado um mistério que envolve, atenção, pelo menos sete OUTROS cadáveres. O caso também expõe diretamente a incoerência daqueles que cobram menos violência, mais moderação, etc. Ora, imaginem que um prefeito petista fosse assassinado hoje. Como reagiria o PT? Pediriam, corretamente, investigação, apuração, etc. custe o que custar, até tudo ser esclarecido. Porque isso não vale para Celso Daniel podemos apenas imaginar.

Quem acompanhou a sexta-feira na internet viu o silêncio geral dos petistas. Falavam de flores…

Mas um dia depois da Carbono 14 eis que surge a capa da IstoÉ. Bendita capa! Bendita foto! Os petistas se agarraram a ela com muito gosto. O assunto, a pauta, passou a ser a misoginia, o machismo, etc. Por que os petistas não falam da capa de VEJA, que além de ter circulação e audiência muito maiores sempre foi sua inimiga favorita? Porque VEJA, esta semana, traz na capa a foto de Celso Daniel, e isso não interessa. Petistas Magros Não Lutam Sumô: eles escolhem o esporte que mais lhes apetece, e é precisamente por isso, e apenas por isso, que vencem.

Dá na mesma quando um petista — ignorando total e completamente a delação do LÍDER DO GOVERNO DILMA NO SENADO, as declarações da Andrade Gutierrez ou tudo aquilo que Rui Falcão, Jaques Wagner, Mercadante e o faraó Lula disseram e está gravado — repercute aos mil ventos uma planilha da Odebrecht para a qual não existe uma só boa razão para faltar o nome de Dilma, cujo partido recebeu da empreiteira, só em 2013 (!), R$ 6 milhões declarados.

É por isso que digo que, quando um reaça diz “veja, até a Luciana Genro disse que…” ou “vejam, até a Marina Silva…”, ele já perdeu. Porque entregou a legitimidade de sua causa ou de sua agenda para uma terceira parte (ou, no caso destas duas personagens, para o Outro Lado mesmo).

***

Esta semana a internet está sendo acometida por uma nova onda. Pela coincidência de pautas entre os AstroTurfs de sempre, podemos notar que essa onda tem o carimbo ou pelo menos a anuência do Comando Central do Partido. Trata-se da “não perca amizades por política”, aí necessariamente entendido o “não brigue por causa de opiniões”.

A pauta interessa muitíssimo ao PT. Quando você está tomando uma surra dos fatos, um recurso interessante é mudar o esporte para uma saudável e amigável disputa de opiniões. Desta maneira, defender o governo vira uma mera questão de opinião, de gosto, um capricho, como escolher um time de futebol ou gostar de azeitona. Se é tudo questão de opinião, os fatos podem ser deixados de lado, como o cardápio logo depois que bons amigos escolhem o que pedir. E assim as comprovadíssimas pedaladas fiscais, o petrolão, o documento do Bessias, as promessas de Mercadante, a longuíssima delação de Delcídio, etc. etc. viram, quando muito, palpites, isso se forem lembrados.

Pelo menos dois jogos de tabuleiro reproduzem esta dinâmica. Em “Campaign Manager 2008”, o jogador deve deslocar o assunto em pauta em cada Estado — defesa ou economia — antes de amealhar os eleitores. Já em “Gym”, que será lançado no fim do ano, o jogador pode usar bullies — crianças ruins de esporte mas boas de confusão — para atrasar as competições nas olimpíadas da escola: dos seis eventos possíveis, apenas quatro serão realizados, sendo os outros dois cancelados pelas crianças marrentas.

A força do petismo está em seus bullies.

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Dilma é do barroco

DILMA ROUSSEFF É DO BARROCO.

Tenho em mãos o mais novo livro do professor e amigo Derek Croxton: The Last Christian Peace — The Congress of Westphalia as a Baroque Event. É uma nova leitura da Paz de Vestfália, que pôs fim à Guerra dos Trinta Anos (1618–1648) e abriu caminho para uma era gloriosa para a França sob Luís XIV, o Rei Sol.

O que era o barroco? O que foi o século XVII? Na introdução do livro, Croxton resume alguns episódios e elementos:

– O século XVII foi a grande era das caças a bruxas, como em Salem em 1692. Mesmo os mais educados acreditavam que bruxaria e magia existiam.
– Era uma época de grande desconforto, incerteza e insegurança. A situação econômica da Europa piorou no começo dos 1600s. Guerras (inclusive a dos Trinta Anos, duh) e pragas reduziram a população e governos aumentaram impostos para financiar seus combates no continente e as expansões além-mar.
– Com o contato mais próximo dos europeus com povos da Ásia, África e das Américas, e com os crescentes conflitos religiosos [o barroco, naturalmente, coincide com o auge da Contra-Reforma], cresciam o sentimento de incerteza com as próprias crenças e o desafio às premissas que todos julgavam certas. O resultado de todas essas mudanças levou a uma profunda ansiedade sobre o mundo e sobre o lugar de cada um nele. “Como consequência”, escreve Croxton, “as pessoas pareciam se agarrar a hierarquias terrenas como último vestígio de ordem”. E adiciona: “as pessoas não apenas acreditavam em posição [rank], mas levavam a defesa de suas posições a um grau absurdo”.

O barroco é a época do mosqueteiro d’Artagnan e do intrépido e narigudo Cyrano de Bergerac (que, atenção, foram pessoas de verdade). É uma época de vociferar, de fanfarronice, de se gabar; de capa-e-espada, insultos, títulos, reivindicações. Um poeta alemão da época satirizou esse espírito em uma peça de teatro. Ela começa com um soldado exclamando um texto que não ficaria fora de lugar na boca do fake oficial Dilma Bolada:

Montagem by Dilma Bolada

“Relâmpago, fogo, enxofre, trovão, salitre, chumbo e muitos milhões de toneladas de pólvora não têm o poder de minha menor reflexão sobre as consequências de minha infelicidade. O grande Xá da Pérsia treme quando eu ando sobre a Terra. O imperador da Turquia várias vezes enviou representantes para oferecer a mim sua coroa. O mundialmente famoso mogol* não considera sua fortaleza segura de mim”.

[*nota: este mogol é sem “n” mesmo e morava na Índia].

Essas disputas de títulos (“você sabe com quem está falando, querida?”) tinham consequências reais. Uma das razões para o Congresso de Vestfália ter durado tanto tempo foram as longas negociações sobre títulos e precedência. Para citar apenas um exempo, a França se chamava “Reino da França e Navarra” e a Espanha se chamava “Reino da Espanha e Navarra”, tudo ao mesmo tempo, porque ninguém queria abrir mão do território. Sem falar no: eu casei com fulana, ah mas meu tio é duque não-sei-da-onde, etc.

O barroco é também a época em que surgem algumas das primeiras histórias de ficção científica, como Viagem à Lua (1657), do próprio Cyrano. Na sociedade da Lua, eram os velhos que deviam respeitar os jovens e não o contrário (cada época com suas fanfics).

O desconforto com o desafio a premissas por muito tempo estabelecidas, o apego a títulos, a fanfarronice, o absolutismo e o L’Etat, c’est moi, estão vívissimos neste fim do governo petista.

Um petista considera que o governo e o Estado são DELE (ou, mais precisamente, são O partido). É por isso que qualquer tentativa de deposição, não importa que dentro da lei, é “golpe”. É por isso que um ex-presidente pode virar presidente ‘de facto’ à vontade. É por isso que Temer, mesmo eleito com 54 milhões de votos, “deve renunciar”, pois afinal, “a bola é minha, se não eu puder jogar no ataque ninguém mais vai brincar”. Para o petista, o governo não é um trabalho, muito menos em equipe: é o próprio corpo do soberano. É desse espírito barroco que vêm todos os epítetos: “tirei tantos milhões da pobreza”, “faço o pobre andar de avião”, “as grandes potências tremem diante da minha diplomacia”, “a grande imprensa se curva perante as minhas conquistas”, etc.

O barroco traduz o espírito de uma época na qual cresciam o sentimento de incerteza com as próprias crenças e o desafio às premissas antes dadas como certas (por exemplo: os movimentos sociais que conseguem lotar as ruas são aqueles do PT; quem não está com o PT é apenas uma elite branca de malvados; a OAB é nossa; as reivindicações políticas que valem são apenas aquelas que surgem nos partidos políticos, nos sindicatos ou nas organizações que a gente conhece, etc.). Vale aqui uma citação do formidável texto de Renan Santos, juro que vou colar só quatro parágrafos:

“(…) O surgimento do MBL, do Vem Pra Rua e dos demais movimentos de rua possibilitou a criação de um antes inimaginável tecido político que reagrupou os milhões de Pessimildos espalhados país afora. Tudo aquilo que fora perdido em anos de aparelhamento ilegítimo das instâncias representativas da sociedade civil foi recuperado no prazo de um ano. Mais: ao contrário de fenômenos similares analisados por teóricos do mundo em rede — Occupy Wall Street, Indignados, Primavera Árabe — a revolução do Pessimildo não conta com apoio entusiasmado da academia, da imprensa e do establishment cultural. Muito longe disso, por sinal.

Esse organismo vivo, que tomou corpo ao longo de 2015, impôs derrotas fragorosas a todos os que se colocaram em seu caminho. A oposição vacilante foi atropelada pelas incisivas manifestações de 12 de abril e pela Marcha pela Liberdade, que resultou em um posicionamento pró-impeachment, na Câmara, das bancadas do PSDB, DEM e PPS. Manifestações pelegas dos outrora temidos “movimentos sociais” viraram motivo de chacota na Internet. Declarações oficiais eram convertidas em memes e piadas. Fases da Operação Lava Jato eram narradas como se fossem fim de campeonato.

Nem setores da grande imprensa escaparam. A tentativa de transformar o fenômeno em um Fla x Flu entre Cunha e Dilma naufragou, assim como a cobertura ultrajante que fizeram das aspirações dos brasileiros que saiam às ruas.

Muito a contragosto, tiveram de se render à agenda de Pessimildo: levamos o impeachment ladeira acima e unificamos um país disperso e deprimido. O monumental 13 de Março serviu como pá de cal para a luta inglória do jornalismo militante.”

Como consequência da demolição das certezas — no século XVII ou hoje — as pessoas se agarram a hierarquias terrenas como último vestígio de ordem. Ocorre que agora, assim como antes, uma dinastia está chegando ao fim.

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