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Delcídio é doido?

DELCÍDIO É DOIDO?

É louco? Zureta? Tantã?

O senador Delcídio é pirado? Doidivanas? Abestalhado?

O homem indicado por Dilma para ser Líder do governo no Senado é insano? Amalucado? Desajuizado? Aloprado? (ops, com essa palavra convém não brincar….)

Delcídio é desmiolado? Ruim das ideias? Habitante da Malucolândia?

É noia, sem-noção, pancado, coió, tonto, avoado…?

Pois esta é agora a pergunta mais importante da República.

Não é de hoje que a sanidade vira peça no jogo político. No começo dos anos 90, circulava a tese de que Pedro Collor, irmão do então presidente, era louco. A intenção, obviamente, era desacreditar seu testemunho contra Fernando e impedir o impeachment. Não deu certo.

O ex-presidente Lula tem sua própria opinião sobre Delcídio. Chamou o comportamento do senador de “coisa de imbecil” e disse que ele foi “idiota” (segundo a Folha, o uso desses termos foi confirmado por dois interlocutores).

Há uma distinção muito importante. Um aluno ‘imbecil’ ou ‘idiota’ pode responder que 2+2 são 5, mas nunca responderá que 2+2 são “Pedro Álvares Cabral”. Ele comete erros, mas ainda atua dentro do contexto. Suas ações têm fundamento.

O que nos leva ao áudio com falas de Delcídio gravado pelo mais novo personagem da Lava Jato, Bernardo Cerveró (em tempo:‪#‎ValeuBernardo‬). Vejamos alguns trechos.

DELCÍDIO: “Agora, Edson e Bernardo, eu acho que nós temos que centrar fogo no STF agora. Eu conversei com o Teori, conversei com o Toffoli, pedi pro Toffoli conversar com o Gilmar, o Michel conversou com o Gilmar também, porque o Michel está muito preocupado com o Zelada, e eu vou conversar com o Gilmar também.”

DELCÍDIO: “Diogo, nós precisamos, nós precisamos marcar isso logo com o Fachin, viu!”
DIOGO: “Hum, hum!”
DELCÍDIO: “Fala com o Tarcísio lá.”
DIOGO: “Tá.”
DELCÍDIO: “Para ver se eu faço uma visita pro Fachin.”

DELCÍDIO: “Aí por exemplo, no caso da Dilma, ele disse: “A Dilma sabia de tudo de Pasadena, ela me cobrava diretamente.” Pá, pá, pá.”

DELCÍDIO: “E tá com o Fachin? Eu tô precisando fazer uma visita pra ele lá hein!”
EDSON: “Essa é a melhor porque acaba a operação.”

Se Delcídio não é maluco, zureta, aloprado (ops), etc. etc., então sabemos que suas ações têm fundamento na realidade. Delcídio não estava delirando quando disse o que disse. Não era uma fantasia que se passava em sua mente — seus interlocutores entendiam o que e do quê ele falava e responderam de acordo.

Delcídio falava como se fosse verdade — e seus interlocutores entendiam como plausível, verossímil e crível — que o líder do governo no Senado negociava a respeito de delações premiadas diretamente com ministros do Supremo Tribunal Federal.

Na manhã de quarta-feira (25.nov.2015), quando Delcídio foi preso, o ministro Dias Toffoli deu uma entrevista coletiva com grande ar de indignação.

Dias Toffoli tem, a respeito de Delcídio, uma opinião diferente daquela de Lula. Toffoli disse: “infelizmente estamos sujeitos a esse tipo de situação, pessoas que vendem ilusões”.

Agora vem o mais importante. A gravação foi feita no dia 4 de novembro. Só vazou três semanas depois.

Para desavisados como eu, o que fica parecendo é que o senador Delcídio falava em privado de coisas que eram perfeitamente plausíveis até o começo do mês, e subitamente ministros do STF vieram a público para dizer que é tudo ilusão.

A Operação Lava Jato já pode pedir música no Fantástico. Até aqui investigava o Congresso e pessoas ligadas ao Planalto. Agora pode completar os endereços na Praça dos Três Poderes.

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