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Eduardo Cunha, o ninja

TODOS SABEM que Eduardo Cunha é o homem mais poderoso do Brasil, mas poucos sabem que ele é ninja. E também um grande jogador de Splinter Cell.

“Splinter Cell” é uma série de stealth games, ou seja, jogos de furtividade. O jogador entra em bancos, instalações militares, presídios, mansões e alguns dos lugares mais bem-protegidos do mundo sem ninguém perceber. Evita câmeras, hackeia os sistemas de segurança, distrai os guardas, apaga as luzes, realiza sua missão e sai de lá sem deixar rastros. No modo mais difícil, o jogador não pode encostar a mão em um inimigo sequer. Basta ser detectado para receber o “Game Over”. Este é o modo favorito de Eduardo Cunha.

Ao se acreditar na pauta ventilada pela nossa imprensa, Eduardo Cunha é não apenas imensamente poderoso, mas também incrivelmente furtivo. Em março, a famosa “lista do Janot” contava 47 nomes. Pelo que vimos nas últimas semanas, só um desses nomes importa: o de Cunha.

Isso não acontece, como podem acreditar os mais ingênuos, por alguma orientação política contra o homem que constitucionalmente tem a prerrogativa de encaminhar pedidos de impeachment contra a presidente Dilma. Nada disso. Na verdade, decorre da grande habilidade de Cunha noSplinter Cell.

Sozinho, sem qualquer ajuda ou orientação, Cunha se infiltrava à noite nas instalações da Petrobrás e de lá retirava tudo o que precisava, posteriormente mandando o produto para a Suíça. Cunha, pessoalmente, vestia-se de preto e evitava as câmeras, hackeava os sistemas de segurança, distraía os guardas, apagava as luzes, dava de comer aos cachorros. Se alguns poucos operadores sabiam do esquema, Cunha mandava totalmente neles. Ninguém no poder Executivo jamais soube de nada.

***

A ideia de que Eduardo Cunha “nunca apoiou” Dilma é mais uma das teses orwellianas que certo partido cometeu e certa imprensa repercute. Para citar apenas um exemplo, Cunha apoiou fortemente Dilma contra Serra em 2010. Cito alguns tweets do deputado:

“Datafolha, igualmente a todos os outros institutos de pesquisa, confirma liderança folgada de Dilma.”

“Voto em Dilma está consolidado. Indecisos vão optar pela continuidade, o que, convenhamos, é o mais sensato.”

“O discurso da Pres Dilma foi excelente,tocou nos pontos certos e nao deixou de falar na liberdade de culto e de citar Deus.Parabens”

“@Raphael_Lacerda faco parte do gov Dilma,pedi voto , sou apoiador dela,mas isso nao quer dizer que nao posso criticar atos ou pessoas do gov”

Como uma verdade não fica mais verdadeira pela soma de exemplos, paro por aqui.

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Hoje os petistas comemoraram uma decisão do STF que deu MAIS poder a Eduardo Cunha. Com a tripla liminar concedida a um mesmo assunto (!), o plenário da Câmara não pode recorrer se seu presidente rejeitar um pedido de impeachment.

[nota: agora entendemos por que o governo Dilma não recorreu ao STF contra a avaliação do TCU. Estava guardando munição…. adiante].

Agora cabe a Cunha decidir, completamente sozinho, se acata ou não os pedidos. Sua decisão é monocrática e inapelável.

O petismo não deixa de ter suas profecias corretas, ainda que corretas porque auto-realizáveis. A partir de hoje, agora sim, Eduardo Cunha é o homem mais poderoso do Brasil.

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Dilma, a “meta aberta” e o xadrez

dilmao

“E NÓS NÃO VAMOS colocar uma meta. Nós vamos deixar uma meta aberta. Quando a gente atingir a meta, nós dobramos a meta”.

Muita gente criticou esta fala recente da presidente Dilma ao anunciar 15 000 novas vagas no Pronatec Aprendiz, no fim de julho (trata-se de um programa de qualificação profissional voltado para jovens a partir de 14 anos). Mas a frase revela um profundo problema matemático, quase tão antigo quanto o jogo de xadrez.

Vamos deixar de lado o termo “meta aberta”, que eu desconhecia (já tinha ouvido falar de “meta em aberto”), e nos concentrar apenas na matemática.

Para que o algoritmo da presidente funcione, o Pronatec, naturalmente, não pode formar zero aprendizes. O dobro de zero é zero, e o dobro do dobro de zero também é zero, etc. Assim não chegaremos a lugar nenhum.

Mas vamos visualizar o seguinte: um tabuleiro de xadrez. Ele tem 64 casas – 8×8. Vamos imaginar que esse tabuleiro serve como calendário do Pronatec Aprendiz, e cada casa corresponde a uma semana. É pouco tempo – 64 semanas, pouco mais de um ano. Não é razoável que uma criança termine um curso em apenas uma semana, mas é perfeitamente razoável fazer, nesse tempo, uma matrícula.

xadrez xadrez

Na primeira semana – a primeira casa do tabuleiro de xadrez – o Pronatec Aprendiz matricula um jovem. Temos que começar de algum lugar.

Na segunda semana, Dilma dobra a meta e matricula dois jovens. Ao final das duas semanas, serão três jovens matriculados – um veterano da primeira semana, mais dois calouros da segunda (1+2=3).

Na terceira semana, Dilma dobra a meta de novo e matricula quatro crianças. Depois, oito; depois, 16; depois 32; em seguida, 64, 128, 256 e assim por diante.

Na 15ª semana, o Pronatec vai matricular 16 384 aprendizes – isto é, apenas nessa semana, já vai superar o anúncio feito no fim de jullho, que era de 15 000 vagas. Mas na verdade a aceleração terá sido muito maior – o dobro da meta, menos um. Por quê? Porque devemos somar, aos matriculados durante a 15ª semana, todos aqueles das 14 semanas anteriores, ou seja, 1+2+4+8+…, isto é, 16 383. Assim, em 15 semanas teremos 32 767 matrículas.

O IBGE calcula que o Brasil tem 49 milhões de jovens entre 15 e 29 anos. Parece muito? Dobrando a meta, é pouco. Pois apenas na 26ª semana – ou seja, em coisa de seis meses – o Pronatec Aprendiz terá matriculado 33.554.432 jovens – isso mesmo, mais de 33 milhões. Esse contingente se soma aos 33.554.431 matriculados anteriormente, para um total de 67.108.863 aprendizes. Ou seja, se começarmos a dobrar a meta agora (14 de agosto), teremos formado todos os jovens brasileiros, com folga, pouco depois do Carnaval (obedecendo ao princípio universal de deixar metas para depois do Carnaval). Observem que estaremos na 26ª casa do nosso tabuleiro de xadrez, ou seja, percorremos pouco mais que um terço.

Ao final da 28ª semana, dobramos a meta e teremos matriculado 268.435.455 pessoas – toda a população brasileira mais a da Itália.

É tanta gente que isso deve ter um custo. Pois bem. Uma nota oficial da Petrobrás, publicada em abril de 2015, admitiu oficialmente perdas de R$ 6,2 bilhões de reais com a corrupção investigada na Operação Lava Jato. Vamos imaginar agora que cada aluno do Pronatec Aprendiz pague uma taxa de matrícula de R$ 1. Ao final da 33ª semana – que atenção, cairá em 1º de abril de 2016, uma sexta-feira como hoje – teremos arrecadado ao todo 8.589.934.591 reais, o suficiente para cobrir esse rombo da Petrobrás, quantia equivalente aos nossos 8.589.934.591 alunos – não fosse o inconveniente de esse número ser superior à toda a população da Terra.

Daqui a apenas um ano, teremos – sempre dobrando a meta – matriculado 4,503,599,627,370,495 aprendizes. É isso mesmo, mais de quatro quatrilhões de vagas. Esse número é muito superior ao PIB mundial, que é estimado na casa dos 70 ou 80 trilhões [de dólares], e está acima até mesmo da quantidade de sinapses no cérebro humano (algo entre 100 e 500 trilhões, corrijam-me os neurocientistas). Com efeito, quatro quatrilhões é aproximadamente o número de células no corpo humano – de quarenta pessoas (digamos, um presidente e 39 ministros).

Ao final do tabuleiro de xadrez – da 64ª casa, ou seja, 64ª semana, ou seja, em 4 de novembro de 2016 – dobramos a meta de novo e chegamos a 18,446,744,073,709,551,615 matrículas – isto mesmo, mais de 18 quintilhões. Com uma rápida pesquisa no Google, vejo entomólogos estimando a população mundial de insetos na ordem dos 10 quintilhões. Portanto, sempre dobrando a meta, muito em breve vamos criar vagas suficientes não para nossos cidadãos brasileiros, mas para todas as formigas, abelhas, grilos, gafanhotos, cigarras, borboletas, percevejos, moscas, mosquitos, mariposas e vespas de toda a Terra. Prefere alçar voos mais altos? Fora do tabuleiro, ao final da 73ª semana – ainda na ressaca do Réveillon de 2017 – estaremos avançados na casa do sextilhão, usada nas estimativas do número de estrelas do Universo.

O petismo é um fenômeno astronômico.

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Blattermãe muda mais

blatterNÃO PODEMOS CRIMINALIZAR o futebol.

As suspeitas que recaem sobre a FIFA são história antiga, coisa que é feita sistematicamente no esporte. Denúncias requentadas não podem manchar o grande legado construído por Blattermãe, divo, poderoso, rainho. Por exemplo, a Copa das Copas.

Alguém por acaso bebe propina? Eu não bebo. E enquanto o caso ganha essa repercussão toda, ninguém fala de um certo príncipe por aí…

Hoje as urnas decidiram: Blatter de novo com a força do povo. E se reclamar, é Ricardo Teixeira em 2018!

A verdade é que a classe coxinha, o andar de cima, não suporta o fato de que hoje o filho do pobre também tem troféu. Na época dos tucanos, Corinthians e Galo não tinham Libertadores… agora têm. É isso que a raivosa classe palmeirense, são-paulina e cruzeirense não pode aceitar.

Ora, se é pra investigar, que se investiguem todas as Copas! Desde 1930! E é preciso lembrar: suspeitas recaem sobre uns e outros, mas isso não quer dizer que a FIFA em si seja corrupta. Afinal, nunca se investigou tanto a corrupção!

Com efeito, como disse um amigo, “não se pode criminalizar a cartolagem por erros isolados de indivíduos”. Erros não: malfeitos. Possíveis malfeitos. Ainda não comprovados.

Tenho certeza de que, nesse novo mandato, Blatter Coração Valente vai Mudar Mais.

Mandato Novo, Ideias Novas!

Pirilililililili….

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Sim, Dilma nos representa

Com grande poder…

Meu nome é Cedê Silva e Dilma Rousseff me representa.

Não votei nela. Não votarei nela. Não avalio bem sua administração. À parte isso, sei que vivo numa democracia representativa.

Em qualquer regime existem vencedores. Só na democracia existe espaço também para os que perdem. Não é a ideia que predomina na atual discussão pública. Uma das frases que mais pipocaram nas timelines no ano passado, ainda muito viva nestes tempos pré-eleição, é “fulano não me representa”. Devo informá-los de que fulano te representa sim. Reside aí a grande responsabilidade do cargo: representar inclusive os que não votaram nele.

À esquerda e à direita leio quem sustente que vivemos em “tempos mimados”. É verdade. Uns criticam o Bolsa Família, outros criticam quem critica o Bolsa Família mas estuda em universidade pública, todos criticam os rebeldes ou reacinhas criados com leite achocolatado que nunca enfrentaram dificuldade na vida, etc. É a turma que toma a bola quando seu time toma muitos gols, que larga o controle ao começar a perder no videogame. Vivemos também tempos mimados – mimadíssimos – na política. Sua maior manifestação é o “fulano não me representa”. Afinal, eu não votei nele, esse jogo eu perdi, então não quero jogar! Abster-se de responsabilidade pelo político, porém, equivale a conceder-lhe licença para nos desprezar por completo. Afinal, se já damos de barato que ele não nos representa, por que ele deveria se esforçar em fazê-lo?

Hoje é o primeiro dia de setembro e também segunda-feira. Me parece um bom dia para recomeços. Retomo hoje este blog para publicar alguns apontamentos sobre coisas em que venho pensando há bom tempo. Uma delas é esta: Dilma me representa. Eu preferiria que fosse outra pessoa. Mas vivo numa democracia representativa, que se distingue justamente por ter representantes que trabalham para todos. Não pretendo representar ninguém, mas adorarei conversar com todos os meus leitores. Adiante.

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Negando o inegável

No Estadão:

Um locutor [do programa eleitoral de Dilma] vai dizer que o País não corre mais o risco de ter um apagão na energia elétrica, como ocorreu em 2001 e 2002, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Para a propaganda de Dilma Rousseff, com Lula e a candidata, esse tipo de ameaça não existe mais.

Uai, e o apagão de 2009, de Itaipu? E o apagão deste ano no Norte e Nordeste?

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A honestidade de Marcelo Branco

Demonstrada apenas com imagens.

Exhibit A:

Exhibit B:

Sem mais, Meritíssimo.

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Vantagem de Serra “cai” de 4 para 5

Folha em 28 de fevereiro, pesquisa Datafolha:

C

Vantagem caiu para 4 pontos.

Folha hoje, pesquisa CNI/Ibope:

Era 4, diminuiu pra 5

Em fevereiro, a vantagem de Serra CAIU para 4 pontos.

Agora CAIU de novo… para 5!

Tá certo que os institutos de pesquisa são diferentes. Ma(i)s cuidado com as manchetes!

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