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O PT perdeu votos, mas ainda tem muitos ônibus

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DIZ A LENDA QUE STALIN certa vez zombou da força do Papa: “O Papa? Quantas divisões ele tem?”. Não tenho a resposta para essa pergunta, mas sei que o PT ainda tem algumas dezenas de ônibus.

Massacrado nas eleições municipais e derrotado na votação da PEC 55, o PT não tem votos nem nas urnas nem no Senado. Com efeito, como já mostrou este Implicante, o PT perdeu votos no Senado em relação à votação do impeachment de Dilma — de 20 para 14. Mas como o partido nunca foi afeito ao jogo democrático, não está disposto a perder de graça. Nesta terça (29), em Brasília, vândalos realizaram mais um “protesto pacífico” típico da turma, virando um carro de reportagem, ateando fogo em outro, e depredando caixas de correio, bancos e os prédios de vários ministérios — tudo em nome do respeito ao patrimônio público, claro. Esses vândalos absolutamente apartidários foram entusiasticamente defendidos por deputados federais petistas e por lideranças dos seus AstroTurfs¹ de sempre.

Na noite de terça (29.nov.16), no Twitter, vi algumas das mais absurdas justificações para a violência, incluindo dizerem que haviam virado um carro para se defender (o fulano é o Hulk?) e que num momento de luto nacional não se deveria fazer política (e fazer protesto, especialmente violento, é o quê?).

Nenhum veículo de imprensa fez a pauta mais óbvia: relacionar a violência de terça com as longuíssimas invasões de escolas, todas elas com pichações “Fora Temer”. A imagem acima mostra que pichadores deixaram registradas no prédio do MEC algumas das suas escolas de origem. Quem pagou os ônibus que levaram os estudantes a Brasília? Onde se hospedam e quem paga? Ninguém da imprensa está interessado em fazer essa reportagem, mas já tivemos que ler da pena de alguns colunistas perguntas do tipo “quem financia os panelaços?”.

A violência de terça-feira (29.nov.16) mostra (mais uma vez) que o núcleo de poder do PT não está em Brasília, mas nas escolas de todo o Brasil. Muitos professores, diretores, reitores etc. são agentes diretos da quebradeira, ao desenvolverem um ambiente na escola no qual alunos viram militantes, crentes de que estão numa revolução e que em nome dela tudo se justifica — afinal, “não reconheço governo golpista”. Naturalmente, esses próprios professores não vão lá dar a cara a tapa, mas têm muito orgulho dos seus jovens rebeldes que obedecem rigorosamente suas cartilhas.

A turma que vai protestar neste domingo (04.dez.16) deve comparecer às ruas não apenas em defesa da Lava Jato, mas para marcar, mais uma vez, que nossa diferença é não apenas de pauta, mas de método. Sem um só ato de depredação, derrubamos uma presidente. A Lava Jato, que nós apoiamos e eles nunca, pôs na cadeia Eduardo Cunha, que, se dependesse deles, estaria no poder desde que não ameaçasse Dilma (com Lula ministro). Eles seguem quebrando e seguem perdendo votos. Mas ainda têm as escolas e os ônibus.

¹ AstroTurf, uma famosa marca de grama sintética, é termo utilizado para designar os “laranjas” políticos de um partido; ex. “Frente Brasil Popular” e “Frente Povo Sem Medo” são nomes diferentes do PT, que também é comercializado sob as marcas “PSOL”, “Rede”, “professor universitário”, “colunista da Folha” e muitas outras.

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(Nota: este artigo foi publicado originalmente em minha coluna semanal no Implicante).

 

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A invasão de escolas é a mais descarada Escola COM Partido

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E MAIS UMA VEZ o Brasil assiste ao movimento “estudantil”, de forma absolutamente “espontânea”, invadir e ocupar locais públicos em prol de pautas do PT.

Tratam-se de jovens tão ousados, tão revolucionários, tão espontâneos e tão independentes quanto a turminha do antigo CRUJ (Comitê Revolucionário Ultra-Jovem), de um programa de TV das antigas: eles usavam máscaras e faziam pose de rebeldes, mas na verdade trabalhavam a serviço de um império. No caso do CRUJ, era o império do simpático camundongo Mickey; no caso dos jovens pró-PT, os mestres são outros ratos…

Dois vídeos dizem em quatro minutos mais do que eu poderia dizer em várias páginas. O deputado federal Helder Salomão (adivinhem de qual partido) conta aos estudantes de uma escola invadida os objetivos do PT com a bagunça: atrasar a votação de pautas do governo Temer e deixá-las pro ano que vem, e quem sabe sensibilizar o Senado para fazer uma alteraçãozinha na PEC 55 (ex-241) para que ela volte à Câmara. Em seu Facebook, o deputado já documentou várias de suas visitas a escolas invadidas no Espírito Santo, incluindo a promoção de “debates” (como sabemos, petistas promovem “debates” sem que haja interlocutores com opinião diferente).

Salomão também parabenizou os alunos pelo “foco” (na pauta do PT), lembrou da jovem Ana Júlia (também defensora de pautas do PT), e disse que “deputados e senadores têm medo da reação do povo”, sem dúvida uma lição que ele aprendeu quando Dilma sofreu impeachment. O melhor: o deputado alerta os alunos para não se deixarem “instrumentalizar” por gente “querendo tirar proveito” deles!

Todos os defensores dessas invasões, sem nenhuma exceção, estavam há poucos meses ridicularizando o projeto Escola Sem Partido, negando qualquer uso das escolas em favor do PT. Nenhum deles cogitou invadir escolas quando Dilma cortou 10% do orçamento do MECfechou o Ciência sem Fronteiras ou contratou Renato Janine Ribeiro (cujas credenciais eram tão boas que foi trocado em poucos meses pelo não menos genial Aloizio Mercadante). Como vemos, a turma do CRUJ é boa de audiência, mas vai mal em aulas de lógica, matemática e história. Nunca foi um programa educativo.

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(Nota: este artigo foi publicado originalmente em minha coluna semanal no Implicante).

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Quem tem medo do Escola sem Partido?

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A PETEZADA ESTÁ EM POLVOROSA com o Projeto de Lei 193/2016,que inclui nas diretrizes da educação nacional ideias do Escola sem Partido. Desde o impeachment de Dilma nunca vimos os petebas tão assustados. Leonardo Sakamoto, invertendo completamente a questão, teme “uma geração de zumbis”. Em seu texto, ele não cita o número do PL nem sequer a palavra “Senado”, talvez considerando o projeto uma espécie de Voldemort que não deve ser nomeado. André Gravatá, também blogueiro do UOL, responde à pergunta “[p]or que é importante votar contra o Escola Sem Partido?”. O ex-chefe do MEC Renato Janine, chamado para o cargo pelo grande mérito de não ser Cid Gomes e preterido em favor de Aloizio Mercadante seis meses depois, é outro que embarcou na cruzada, em entrevista concedida ao (quem mais?) UOL. Outros tantos blogs e revistas menos limpos, para os quais a higiene manda não linkar, também convocam a militância a lutar contra mais essa terrível iniciativa que ameaça o projeto de poder deles.

Vamos esclarecer algumas coisas neste debate:

1. Os petebas não estão nem aí para a educação

De janeiro de 2003 até abril deste ano, o Ministério da Educação foi ocupado por quem um presidente do PT decidisse. De lá para cá tivemos alguns avanços importantes, mas a qualidade do ensino continua sofrível. Dos 2,7 milhões de alunos brasileiros de 15 anos avaliados em 2012 pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) da OCDE, 1,9 milhão tinha dificuldades em matemática, 1,4 milhão em leitura e 1,5 milhão em ciências. Em um ranking de 64 países, o Brasil ficou em 59º lugar em matemática e 60º em leitura e em ciências. Nas notas do Ideb, os resultados também estão bem atrasados.

Isso sem falar em aspectos para além das notas. Segundo a OCDE, o Brasil é líder mundial em agressão a professores. Quem visitar escolas públicas hoje tem grandes chances de ver pichações, janelas quebradas, alunos fora da sala de aula e consumo de drogas. Não è à toa que a escola em que a PM de Manaus tomou controle faz tanto sucesso.

O analfabetismo funcional é endêmico. De acordo com o Instituto Paulo Montenegro e a ONG Ação Educativa, apenas 8% das pessoas em idade de trabalhar são plenamente alfabetizadas. As mesmas organizações concluíram que 38% dos universitários brasileiros são analfabetos funcionais (o que não surpreende quem já visitou um DCE).

Em vez de cumprir uma agenda básica — cobrar que nossas crianças aprendam a ler, escrever e a fazer contas — a militância de sempre quer apenas ensinar nossas crianças a “lacrar”. Cobram uma quantidade cada vez maior de conteúdos nos currículos. Fazem das escolas centros de recrutamento para protestos do tipo “Fora Alckmin”. Aplaudem os temas do Enem. O fato de que milhões de estudantes não entendam o que estão lendo é um mero detalhe. Porque o importante na educação não é que os alunos sejam capazes de avaliar, esclarecer, comparar, aprofundar, etc; para os petebas, a escola é antes de tudo uma colônia de potenciais zumbis para gritar “não vai ter golpe”. Na qual o importante é ter “pensamento crítico”, desde que nunca crítico ao PT!

É absolutamente notável que para a petezada a maior ameaça à educação seja o Escola Sem Partido, e não a violência cotidiana contra os professores.

2. Para assuntos de interesse público, cabe a lei

Escolas públicas são pagas com dinheiro público e seus professores são funcionários públicos. Portanto, o funcionamento das escolas é de interesse público, da mesma forma que o funcionamento do SUS, da polícia, das estradas, etc.

Isso significa que a petezada não tem monopólio sobre como as escolas funcionam ou deveriam funcionar.

Entendo as críticas de alguns reaças ao projeto de lei: uma lei não vai mudar o jeito de um professor marxista dar aulas, o ideal é haver cobrança dos pais dos alunos, outros tantos podem preferir o homeschooling, a lei em si não muda o currículo ou as questões que caem no Enem, etc. Tudo isso é verdade. Mas o que o PL em questão pede, em essência, é colocar uma tabuleta nas escolas. Isto vai trazer o debate sobre o direito dos alunos a conhecerem perspectivas diferentes diretamente para dentro das mais de 200 000 escolas do Brasil. E isso não é pouco.

3. Lei não resolve problema de política pública

Nós brasileiros temos um problema cultural de querer resolver com leis problemas de política pública. Leis sobre moradia, saneamento básico e (principalmente) segurança pública estão aí para provar sua eficácia. A educação no Brasil é um problema de política pública e não será “resolvida” com uma lei. Mas a lei é um começo.

Isto dito, toda lei precisa de manutenção. Em 2011, o colunista da VEJA Gustavo Ioschpe sugeriu que toda escola tivesse do lado de fora uma placa com sua nota no Ideb. A ideia virou lei em Minas. Em uma tradicional escola pública perto de minha casa, em BH, vi a tal placa ser instalada. Hoje no lugar existe apenas a estrutura, como um feioso outdoor vazio…

4. As escolas são mais um campo de batalha

Os petebas perderam muitas batalhas nos últimos anos. Lula governou como um faraó, perdendo apenas uma disputa importante no Congresso (a queda da CPMF). De lá para cá, muitos adversários ao petismo se estabeleceram. As listas de best-sellers são dominadas por nomes como Olavo de Carvalho, Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, Leandro Narloch. O próprio Reinaldo é líder de audiência com seu programa na Jovem Pan. Movimentos anti-PT tomaram as ruas em quantidades nunca antes vistas no Brasil. Apesar de toda a resistência de todo o projeto de poder, Dilma sofreu impeachment. E temos a Lava Jato.

No Congresso, nas livrarias, na imprensa, em Curitiba e nas ruas, o projeto de poder do PT tomou várias pancadas nos últimos anos. Até alguns DCEs de universidades eles perderam. Eles agora sabem que neste momento precisam conservar o que acumularam de mais precioso: o domínio das mentes impressionáveis, a fonte e origem de seus asseclas, onde militantes disfarçados de professores reinam quase absolutos. O que mais temem é que os alunos sejam expostos a perspectivas diferentes, que comparem diferentes autores, que entendam que “pensamento crítico” inclui criticar o livro didático e o professor, que, enfim, cheguem às suas próprias conclusões. O sistema educacional (incluindo as universidades) é a rainha-mãe do projeto gramsciano do PT. Chegou a hora de desinfetar.

(Nota: Este artigo foi publicado originalmente em minha coluna semanal no Implicante).

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Incrível o que fez o DCE da UnB

HÁ ALGUM TEMPO NÃO FALO DE POLÍTICA aqui no Facebook, mas um acontecimento recentemente me deixou tão transtornado que preciso dividi-lo com vocês.

Trata-se de uma coisa absolutamente inédita na universidade brasileira.

Vejam bem. Estudei – e me formei – na UFMG e na PUC MInas. Como repórter de Educação do Estadão e como frequentador de simulações da ONU (que chamo de “micaretas de nerd”) conheci outros tantos campi universitários pelo Brasil, públicos e particulares – USP, PUC-SP, Mackenzie, FAAP, UFRGS, a PUC-Rio (onde filmaram Tropa de Elite) e até uma certa rede de instituições pertencentes a um excêntrico milionário que seleciona alunos para se dar bem nas provas do MEC. Pois bem.

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O DCE da Universidade de Brasília (para quem não sabe, é aquela universidade que apareceu na minissérie da Globo Felizes para Sempre?) acaba inaugurar uma sala de estudos. Isso por si já chama atenção. Muitas universidades de boa reputação têm salas de estudos, mas que seja o DCE a cuidar delas já não é lá comum. Os DCEs, em regra, se dedicam a dois grupos de assuntos: 1) festas e micaretas em geral, ou ainda 2) assuntos mais nobres e elevados, como a situação política em Tróia, a readmissão de sindicalistas demitidos e a militância contra a presença da polícia.

Mas não para por aí. O que o DCE da UnB fez foi muito além de uma sala de estudos.

Senhoras e senhores, a nova sala do DCE é decorada… pasmem… com a BANDEIRA DO BRASIL!!!!!

Sim, é isso mesmo que vocês leram! A bandeira do B-R-A-S-I-L!!! Para quem duvida, segue a imagem neste post.

A sala inaugurada pelo DCE não tem uma só imagem de um líder de revolução estrangeira. Não tem cartazes revolucionários, pichações com palavras de ordem ou slogans com aquele cheiro de 1968 francês. Nada disso. Não está escrito “é proibido proibir” e não se veem adesivos de partidos, candidatos ou ervas.

Vou ser bem claro: uma universidade pública brasileira inaugurou uma sala de estudos decorada com a bandeira do Brasil.

A que ponto chegamos!

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