Arquivo da tag: Reinaldo Azevedo

Se ‘Stranger Things’ fosse no Brasil…

stranger things brasil_cede silva

10. O jornalista Xico Sá se dedicaria a defender a ministra da Energia, a responsável pelo laboratório onde ocorrem experimentos macabros — pagos, é claro, com dinheiro público. Outros tantos blogueiros insistiriam na tese de que, embora a ministra tenha notório temperamento autoritário, concentre todas as decisões e seja famosa justamente pela alcunha “gerentona”, não sabia de absolutamente nada do que ocorria nas repartições.

9. Reinaldo Azevedo recorreria ao seu blog e ao seu programa na rádio para lançar várias suspeitas sobre a menina 11. “Embora ela faça um bom trabalho em geral nos livrando de bandidos”, escreveria Tio Rei, “agora essa menina está aparecendo demais e parece até que quer entrar para a política. Hashtag pronto falei”.

8. O ex-BBB e deputado federal Jean Wyllys, que descartou as opiniões políticas de “um jovem de 19 anos” por ser um jovem de 19 anos, postaria em seu Facebook várias fotomontagens zoando as crianças que correm atrás de um monstro “imaginário”, em especial do “coxinha” Mike Wheeler, que além de tudo “se diz” um “mestre” de RPG.

7. Dia sim, outro também, advogados de membros do governo envolvidos nos experimentos emplacariam notinhas ou artigos na Folha de S.Paulo convencendo o público de que nada demais está acontecendo na cidade de Hakwins, e de que as teses de que alguém pode ser responsabilizado são absurdas, idiotas e verdadeiros ataques à Constituição.

6. Blogueiras feministas defensoras da “sororidade” não teriam qualquer problema em chamar Joyce Byers de “maluca”, “louca”, “descontrolada”, “raivosa” e provavelmente “golpista” assim que ela aparecesse na TV dizendo que o governo pode ter feito alguma coisa ruim.

5. A petezada dedicaria ao menino Lucas o mesmo tratamento que concede a Fernando Holiday.

4. Eliane Brum escreveria um longo artigo afirmando que o monstro somos nós.

3. Alçado à condição de herói por milhões de pessoas em passeatas país afora, o delegado Jim Hopper prontamente viraria alvo de investigação de todo o serviço de inteligência da militância petista. Não conseguindo achar nenhum podre dele, os mesmos petebas que idolatram Lula como a um faraó diriam que é “rídiculo” que o povo cante o nome de Hopper nos estádios.

2. O Dr. Martin Brenner teria fechado acordo de delação premiada com 11. Ele estaria, coitado, em prisão domiciliar em sua mansão de 30 quartos e passaria os dias jogando Pokémon GO no jardim.

1. Assim que Temer virasse presidente, todos os problemas e monstros que os petebas insistiam com máximo vigor não existirem virariam as bandeiras mesmas da militância, que passaria a denunciar, com grande horror, os terríveis experimentos realizados na cidade de Hawkins e minha nossa, parece até que existem mortos e desaparecidos…

(Nota: Este artigo foi publicado originalmente em minha coluna semanal no Implicante).

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Colunas

Uma História das Arábias

historia das arabias_cede silva

EM NOME DE DEUS, Clemente e Misericordioso!

Voltava eu certa vez, ao passo lento do meu camelo, singrando pelos Emirados Sáderes, pela estrada de Haddad City, de uma excursão à famosa cidade de Maluf, nas margens de um oásis, quando avistei, sentados numa pedra, três xeques, modestamente vestidos, que pareciam repousar das fadigas de alguma viagem.

Os três sábios discutiam animadamente a solução correta para um arcano problema de matemática.

– É 19! — exclamava o primeiro.
– Deu 40! — garantia o segundo.
– O certo é 96, seus… — e emendou um palavrão o terceiro, que era mais o velho.

Pedindo licença aos vetustos doutores, desci do meu camelo, me apresentei e perguntei se por obséquio eles poderiam me explicar do que tratava a contenda.

– Pois não — se prontificou o primeiro, visivelmente o mais aparecido. “Me chamo Renato Azeredo, e estes meus colegas são Diego Moretti Otávio de Ramalho. Somos nativos do Reino de Aksum, a quem os gregos chamam Eritreia, embora de cidades diferentes. Eu nasci num vilarejo com dois rios, conhecido como Pequena Mesopotâmia. Diego é da capital, também chamada Aksum. E o senhor Otávio é da cidade de Dunas”.

– Muito bem — respondi. “E sobre o que tanto divergem?”.

Renato sacou da túnica um pequeno quadro-negro e um pedaço de giz e mostrou estas misteriosas anotações:

1 + 4 = 5
2 + 5 = 12
3 + 6 = 21
8 + 11 = ?

– Pelo santo nome de Maomé! — exclamei. “De onde vocês tiraram esses números?”
– Da internet, é claro — retorquiu Diego. E a partir dali cada xeque me expôs as suas explicações para mostrar que estava certo.

– A resposta correta é 19 — insistiu Renato. “8 mais 11 sempre será 19. As duas equações do meio estão simplesmente erradas, e dois erros não fazem um acerto. Todos os ulemás da corte concordam comigo. Sei que muitos até imaginariam que eu daria outra resposta apenas para ser o diferente, mas eu sou assim: falo o que penso. Se o sultão Renan Gaddafi tem a mesma opinião que a minha, pouco me importa. Pronto falei”.

– Pena que a resposta correta seja 40 — respondeu Diego, preguiçosamente ainda sentado na pedra. “Está claro que o resultado de cada equação advém da soma dos números em cada linha superfaturados com o resultado da equação anterior. 1 mais 4 é de fato 5, pois esta é a primeira equação do problema. Em seguida, ao 2+5 acrescentamos o 5 do resultado anterior, isto é, 2+5+5, ou 12. Na terceira linha este mesmo 12 foi claramente superfaturado: 3+6+12 é precisamente 21. Pela lógica, na quarta linha deveremos então somar este 21. Ora, 8+11+21 é 40. E acrescento: um famoso mulá sera preso amanh…

– Vocês são todos burros — interrompeu Otávio de Ramalho. “A resposta certa é 96. Existe um claro padrão que vocês não conseguem enxergar porque só sabem falar das fofoquinhas de harém do dia-a-dia. O que o problema está querendo nos dizer é que o segundo elemento do que parece ser uma adição está na verdade também sendo multiplicado pelo primeiro. Observem”. E então tomou o quadro-negro das mãos de Renato Azeredo e apresentou estes cálculos:

1 + 4 → 1 + (1×4) = 5
2 + 5 → 2 + (2×5) = 12
3 + 6 → 3 + (3×6) = 21
8 + 11 → 8 + (8×11) = 96

– O 8+11 não é a quarta linha do problema, mas na verdade a oitava — continuou Otávio. “Notem que os elementos das equações sempre sobem de 1 em 1: 1, 2 e 3; 4, 5 e 6. Um salto de 3 para 8 e de 6 para 11 não faz o menor sentido. Contudo, a diferença entre os elementos de cada soma permanece sempre 3: de 1 para 4, de 8 para 11, etc. E se vocês desenharem isso em gráficos (que não vou chamar de cartesianos), vão ver que deles resultam padrões elegantes e discerníveis, e não essa tosqueira de cronista semi-alfabetizado”.

Impressionado com a demonstração de sapiência dos três xeques, não pude deixar de notar que, por mais que debatessem, não conseguiam chegar a um acordo sobre a melhor solução. Agradeci a eles pela aulas, voltei a meu camelo, e fui em busca da opinião de ulemás do outro lado do rio. Cheguei à cidade de Btabooura, no norte do Líbano, onde acontecia uma vasta ocupação. Os xeques de lá, grandes apreciadores do narguilé, prontamente me atenderam ao ouvirem a palavra “problema”, que eles chamam de “problematizar” — embora tenham feito uma careta quando eu acrescentei que era problema de matemática.

Infelizmente, foram de pouca ajuda. Todos eles, por mais diferentes que fossem em origem, currículo, ou aparência, só conseguiam responder a mesma coisa:

– Matemática? Primeiramente, Fora Temer.

(Nota: Este artigo foi publicado originalmente em minha coluna semanal no Implicante).

Deixe um comentário

Arquivado em Colunas

General Cerqueira e o “menino do MEP”

Viegas, leitor do blog do Reinaldo Azevedo, faz o seguinte comentário:

Com relação ao general [Raymundo Cerqueira], ele expôs sua opinião e para mim isto é honrado. Ele poderia ter dito “isto não me afeta”, “isto são procedimentos do Exército e eu como soldado os cumpro”. Mas não, ele foi honesto, coisa que os Petistas não entendem e têm dificuldade de aceitar uma posição contrária a sua, só é certo quem mente e quem pensa igual? Mostre-me o ministro de estado declarado homossexual? Quantos estão na cúpula do PT? Se existe são caricaturas ou são reservados? (Fonte)

Subscrevo, e adiciono uma sugestão. A saição (!) do armário deveria começar pelo chefe maior do PT – que o diga o menino do MEP!

AP Photo / Eduardo Di Baia

Deixe um comentário

Arquivado em Curtas